Você chegou dizendo que o seu problema era marketing. Saiu com uma ordem: primeiro decidir qual empresa você quer construir, depois dar um preço coerente ao que você entrega, e só então contratar quem vai mostrar isso para quem ainda está do lado de fora.
Dois anos e meio de agência, nascida sem investimento e sem nunca ter dado prejuízo. Você e mais uma pessoa na operação, com um colaborador novo que acabou de entrar e já mostrou serviço. A maior parte dos clientes chega por indicação, e alguns já compraram a curadoria só de ver o Instagram, mesmo do jeito que ele está.
No formulário você escreveu que vende tudo que um viajante precisa e que quer focar em mentoria, consultoria e concierge. Na conversa ficou mais claro: a curadoria é a porta, ela puxa a venda da viagem, e a equipe monta o pacote a partir do briefing que você faz. A curadoria custava R$ 1.000 e você já subiu para R$ 1.500.
A Hello fatura em média R$ 15 mil por mês. No mês passado foram R$ 30 mil e neste mês R$ 25 mil. Nas suas palavras, bate 30 e não passa. O hospital rende em média R$ 20 mil. Os 50 mil que você marcou no formulário são a soma das duas rendas nos meses bons. Você também escreveu que já teve mês de R$ 5 mil trabalhando de domingo a domingo.
Três plantões de doze horas na terça, na quarta e na quinta, mais seis horas na sexta a cada quinze dias. Dentro do plantão você atende a agência, para quando chega paciente e volta. Você descreveu assim: o cérebro troca de médico para agente o tempo todo, e eu chego em casa acabado.
Um sistema próprio, feito por você, que acelerou a operação a ponto de a agência rodar com duas pessoas em vez de três. Um aplicativo de concierge em que o viajante entra com um PIN e encontra o roteiro, tudo que está reservado, os documentos e o checklist. Clientes fiéis, que voltam e indicam. E 23 anos de viagem na sua bagagem pessoal.
Ser o curador e só, com a equipe sendo a agência. Trabalhar muito bem para menos pessoas. Melhorar os produtos de ticket alto, com mais tempo livre e faturamento melhor. Manter o nome Hello e a personalidade da marca, em azul e rosa, sem ficar igual às agências de luxo que você acha todas parecidas.
Não saber quanto vai receber no fim do mês. Exaustão. E a certeza de que quem conhece indica muito, enquanto quem vê de fora ainda não percebe o valor.
Você está tentando resolver na comunicação uma coisa que nasceu antes dela. A ordem é negócio, produto, operação, posicionamento e comunicação. A Hello ainda vende quatro coisas diferentes com o mesmo peso, cobra pela curadoria um valor que não conversa com a viagem que ela gera, e se apresenta ao mundo sem o curador na frente.
Preço baixo na curadoria faz qualquer investimento em marketing parecer caro. Sem investir, o Instagram continua com cara de agência de pacote. Com essa cara, quem não te conhece compara preço ou pede orçamento e some. Sem cliente novo de fora, a agência depende de indicação e para no mesmo teto. E como o teto não sobe, você segura o plantão, divide a atenção e termina a semana sem tempo para fazer o que destravaria tudo isso.
O sistema que você construiu tirou uma pessoa da operação. O tempo que sobrou foi preenchido com mais tarefa, mais personalização e mais serviço. Você ganhou velocidade e continuou sem tempo.
Assumir o lugar de curador, com nome e rosto. Cobrar pela curadoria um preço que faça sentido ao lado de uma viagem de R$ 50 mil ou R$ 70 mil. E usar esse preço para pagar quem vai construir a identidade e o conteúdo, porque sozinho você não chega lá. Nas palavras da Ana Eliza: você não vai faturar 50 na Hello fazendo as coisas de quem fatura 20.
Você vende a possibilidade de uma pessoa terceirizar a carga mental da viagem.
Onde você está: uma agência de dois anos e meio que fatura em média R$ 15 mil por mês, encosta em R$ 30 mil e não passa, com você dividido entre o plantão e a operação e uma curadoria de R$ 1.500 que gera viagens de dezenas de milhares de reais.
Onde você quer chegar: ser reconhecido como o curador de viagens da Hello, atendendo menos pessoas, com ticket mais alto, a equipe cuidando da logística e a Hello chegando a R$ 50 mil por mês sozinha.
A transformação: a Hello deixa de ser vista como agência que vende viagem e passa a ser procurada como o lugar onde quem viaja muito entrega a viagem inteira nas mãos de um curador que tem nome.
A empresa que você decide construir
Na sessão, a Ana Eliza organizou o que você trouxe no formulário numa sequência: negócio, produto, operação, posicionamento, comunicação. Cada etapa depende da anterior. Sem saber qual negócio você quer operar, o produto fica indefinido. Sem produto, a operação fica nebulosa, o posicionamento fica amplo demais, e a comunicação tenta resolver algo que nasceu antes dela.
Por isso ela disse que você tem algumas decisões estratégicas ainda não tomadas. Você estava tentando resolver no Instagram o que se decide lá atrás: que empresa construir, o que vender, para quem, com qual nível de serviço e com qual lógica econômica. Este documento trata do começo dessa fila, o negócio.
Você chama de esteira uma coleção de coisas que sabe fazer. A Ana Eliza chamou isso de síndrome de polvo. Hoje são quatro categorias misturadas.
Agenciamento e transação. Você compra e intermedeia os componentes da viagem. Quando a venda fica só nisso, o valor fica preso a destino, passagem, hotel e preço, e o cliente compara fornecedores.
Curadoria. É a consultoria no seu caso: analisar o contexto da pessoa e dizer o que você recomenda. Custava R$ 1.000, subiu para R$ 1.500, e você mesmo diz que continua barato. Uma curadoria vira mais de R$ 10 mil de lucro com a venda da viagem.
Concierge e implementação. Assumir partes da execução e da coordenação. No seu formulário, é a logística da viagem com suporte estendido e atendimento VIP. A equipe monta o pacote a partir do briefing, e o aplicativo com PIN entrega roteiro, reservas e documentos ao viajante.
Mentoria. Desenvolver a capacidade de outra pessoa para ter uma agência. A palavra entrou no formulário porque você tinha acabado de ganhar o primeiro mentorado.
O foco definido na call é a curadoria: subir o preço, comunicar o valor e, com isso, financiar quem opera. O destino das outras três a call não decidiu. Agenciamento e concierge seguem com a equipe, pelo desenho da próxima seção. A mentoria pede decisão sua, porque apareceu como sintoma de dispersão e ninguém mandou encerrar nada.
O desenho é seu, dito na call: "eu sou o curador e só, e os colaboradores são a agência". Você escolhe o trecho e o trem, passa o briefing, e a equipe monta o pacote e resolve a logística. Você mantém a agência porque a curadoria puxa a venda da viagem, onde está o lucro.
Isso pede três coisas da equipe.
Um briefing que chegue completo. No formulário você declarou que passar informação adiante é ponto fraco e que costuma superestimar as pessoas. Briefing incompleto devolve as decisões para você.
Uma pessoa que fique. O colaborador novo, arquiteto, já faz muita coisa boa, e as leituras dele encaixam com as suas. Ele disse que pelo salário base não consegue ficar, e que pela comissão consegue, mas depende dela. Você tem medo de perder gente boa por falta de valorização, e cogita demitir o colaborador antigo.
Tempo liberado que continue liberado. A Ana Eliza observou que o sistema tirou uma pessoa da operação e que o ganho foi ocupado com mais tarefa, mais personalização e mais serviço.
A Ana Eliza não cravou número novo, e este documento também não. Ela mostrou a relação entre o preço da curadoria e o valor da viagem. Com os números ditos na call:
| Curadoria | Viagem | Conta | Proporção |
|---|---|---|---|
| R$ 1.000 | R$ 70.000 (quatro curadorias atrás) | 1.000 ÷ 70.000 | cerca de 1,4% |
| R$ 1.000 | R$ 50.000 (exemplo dela) | 1.000 ÷ 50.000 | 2% |
| R$ 1.500 | R$ 50.000 | 1.500 ÷ 50.000 | 3% |
A analogia dela: uma clínica com cirurgia de R$ 300 mil não pode ter consulta de R$ 500. Quem paga R$ 50 mil numa viagem tem o dinheiro para pagar mais pela curadoria, e o que recebe em troca é você organizando tudo para ela.
Ela também disse que vendendo uma curadoria no preço certo você paga o mês da social media, e que achar R$ 2.500 caro vem de cobrar R$ 1.000. Hipótese para você testar: para uma única curadoria cobrir R$ 2.500, o preço teria de chegar a R$ 2.500. A R$ 1.500, seriam duas (1.500 × 2 = 3.000).
Seus números: hospital em média R$ 20 mil por mês. Hello em média R$ 15 mil, com R$ 30 mil no mês passado e R$ 25 mil neste, e você diz que "bate 30 e não passa". Plantões na terça, quarta e quinta, das 7h às 19h, mais sexta de 6 horas, quinzenal. A Hello recebe metade da sua atenção.
A pergunta da Ana Eliza ficou aberta: o que acontece com a agência se as horas do plantão forem todas para ela? Ela reconheceu o valor da estabilidade, disse que estabilidade é o contrário de liberdade e que você sempre pode voltar, porque será sempre médico. Pediu que você pense e tenha coragem.
Você decidiu manter o plantão por enquanto e avisar que sai da sexta quinzenal, a que mais pesa. Com seus números: 3 plantões × 12 horas = 36 horas por semana. A sexta são 6 horas a cada duas semanas, 3 por semana em média. Sair dela libera esse trecho.
Para decidir os próximos passos com dado, sugiro um documento seu com uma linha por mês: o que entrou do hospital, o que entrou da Hello e a média dos últimos três meses (soma dos três dividida por 3). Só para ilustrar o cálculo com os dois meses citados: (30 + 25) ÷ 2 = 27,5, em mil.
A saída do hospital segue como decisão aberta.
O medo tem número: pagar R$ 2.000 a R$ 2.500 por mês, esperar uns três meses e jogar cerca de R$ 7 mil no lixo. Os orçamentos que você recebeu (R$ 5 mil mais ferramentas, R$ 3.500, pouco mais de R$ 3 mil, R$ 2 mil de uma amiga) deixaram trauma. A resposta da Ana Eliza: você já está perdendo esse valor, porque deixar de ganhar também é perder, e isso é construção, tijolo por tijolo, sem resultado imediato. Ela lembrou que não se chega a R$ 50 mil na Hello fazendo as coisas de quem fatura R$ 20 mil.
A ordem combinada é identidade visual primeiro, social media depois. A designer indicada refaz a logo e entrega um brandbook, e os conteúdos passam a seguir esse brandbook. A social media entra em seguida, com o seu briefing de ser visto como o curador. A única referência de preço dita é R$ 2.500 por mês para uma boa social media. O valor da designer não foi dito, então peça o orçamento antes de decidir.
O caixa pesa. Você paga R$ 4 mil por mês, sem juros, na recompra da parte do ex-sócio, e já pagou cerca de R$ 25 mil de R$ 100 mil. Conta: 100.000 − 25.000 = 75.000 por pagar, e 75.000 ÷ 4.000 = 18,75, perto de 19 meses de parcela. Hipótese: isso assume que o total da recompra é R$ 100 mil. Com a social media rodando, R$ 2.500 + R$ 4.000 = R$ 6.500 por mês de compromisso, contra uma Hello que rende em média R$ 15 mil. A designer vem antes e a social media depois, e a curadoria no preço certo é o que sustenta a conta.
A virada da sessão foi separar dois modelos de agência. Na transacional, o cliente quer comprar uma viagem. O valor fica preso a destino, passagem, hotel e preço, e ele compara você com qualquer fornecedor.
Na agência de delegação, o cliente pensa: "quero viajar, mas não quero administrar tudo que uma viagem exige". Nesse modelo o produto é a delegação. Nas palavras da Ana Eliza, você vende "a possibilidade de uma pessoa terceirizar a carga mental da viagem". Sua resposta na hora foi: "É exatamente isso".
Você escreveu no formulário que a Hello existe para "garantir a paz e segurança de quem viaja". Paz é o benefício emocional. A delegação é o mecanismo concreto que faz essa paz chegar ao cliente. E o cliente paga mais quando entende o que você assume para que ele tenha paz. Hoje, quem abre o Instagram da Hello não enxerga isso.
O que você assume, pelo que descreveu na call e no formulário:
Essa lista é o seu produto.
Você disse: "Eu quero chegar na parte de que eu sou o curador e só. E os colaboradores são a agência". A Ana Eliza foi direta: quem quer ser visto como curador precisa aparecer, e no perfil da Hello você aparece em um post. "Cadê o Estácio?"
Curador, na definição que ela deu, é alguém que conhece, viveu, tem senso crítico e sensibilidade para personalizar a viagem do outro. Você tem isso: 23 anos viajando, Tailândia, Malásia, Singapura, safári, Europa. Quem já te conhece compra por esse motivo. Você mesmo contou que essas pessoas sabem que você viaja tanto quanto elas, e por isso confiam. Quem vê de fora encontra só a marca.
Numa das agências de luxo que vocês olharam juntos, a fundadora aparece falando como pensa e contando a origem da agência. Foi a referência que a Ana Eliza preferiu, porque ali se sabe quem é a curadora.
Quando ela perguntou por que você ainda não tinha feito isso, você respondeu que teve um pouco de vergonha. Que sempre se viu como uma pessoa simples, que cresceu no meio da elite e nunca gostou do ambiente, da fofoca e da conversa que gira só em torno de dinheiro, e que preferia estar com os funcionários. Disse também que acha a desigualdade injusta.
Duas coisas ditas na sessão respondem a isso. A primeira é da Ana Eliza: quanto mais o seu trabalho rende, mais recurso sobra para você destinar a quem quiser ajudar. A segunda é sua: você quer trazer personalidade para o luxo e manter o "Hello, fulana", sem ficar igual às agências que você acha todas parecidas. Aparecer como curador é aparecer com o seu jeito e o seu critério.
Essa foi a sua pergunta no formulário. A resposta da sessão tem três partes.
A voz precisa de uma pessoa. A Hello fala melhor com quem quer delegar quando você fala em nome dela: como pensa viagem, a sua história, por que escolhe um caminho e descarta outro, como faz uma curadoria e o que leva em conta, os erros que os seus passageiros não cometem, o que observar num destino de luxo.
A voz precisa falar do que você assume. Esse público se define pela relação que tem com tempo, risco, conveniência e controle. Ele quer economizar atenção, tempo e preocupação. Então o conteúdo mostra o trabalho que sai das mãos dele: o aplicativo, o back office, o cuidado com a proposta. Você mostrou o back office nos stories, as transações aumentaram, e fez um único post sobre isso.
A voz precisa de alguém para produzi-la. Você não vai fazer isso sozinho. A ordem combinada é a identidade visual primeiro e a social media depois, com o briefing que saiu da call: "Eu quero ser visto como o curador, a pessoa que já viajou, que já viveu, que tem bom gosto, que sabe o que é certo, o que é errado, o que é feio, o que é bonito".
Três formulações candidatas para bio e apresentação, montadas com as suas palavras para você ajustar. Nenhuma foi dita pronta na sessão.
"Curador de viagens. Eu escolho cada trecho da sua viagem, e a equipe da Hello resolve todo o resto."
Saiu da sua fala na call sobre ser o curador e a equipe ser a agência, e de como você descreveu a passagem do briefing.
"Para quem ama viajar e não quer estresse: você delega a viagem inteira e viaja com quem viaja de verdade."
Saiu do formulário: a sua descrição do cliente ideal, a sua pergunta sobre delegar a viagem inteira e a frase "viajar com quem viaja de verdade".
"23 anos viajando. Hoje faço a curadoria da sua viagem e a Hello cuida da logística, com suporte estendido, do início do sonho até o pouso em casa."
Saiu do formulário: os 23 anos, o concierge como "logística das viagens com suporte estendido" e a transformação que você descreveu.
As três dizem o que você assume. A paz aparece como consequência, e o cliente entende de onde ela vem.
No formulário você descreveu o cliente ideal como "mulher, 50+, com condições e que ame viajar mas não queira estresse" e acrescentou que gostaria muito de focar em LGBTs amadurecidos, mas que diversas vezes se vê "traído pela própria classe".
Na call você explicou: amigos e conhecidos resolvem a viagem sozinhos, e quando alguém procura, começa o briefing e some. Isso desestimula.
A leitura da Ana Eliza foi outra. Amigo e família não compram de ninguém, em nenhum público. E quando a pessoa pede orçamento e some, a causa é posicionamento: o Instagram ainda não reflete o valor da sua experiência. Ela achou o nicho "bem incrível" e disse que, com desejo gerado pelo seu nome como curador, existe gente nesse público que quer ser servida.
Sobre a mulher 50+, a sessão não avançou além do que você escreveu.
Ela pediu que você leve para pensar, sem decidir na hora. As perguntas que ficaram:
A decisão é sua. Se você optar por não ir pelo nicho, o caminho indicado é partir dos seus melhores clientes, que é o exercício a seguir.
A Ana Eliza chamou de clientes baleia: os seus melhores clientes. O critério de escolha é quem representa o negócio que você quer multiplicar. Nem sempre é quem mais gastou.
Marque uma conversa com cada um e faça estas perguntas. Os exemplos ilustram o tipo de resposta que interessa.
Com as respostas em mãos, veja o que esses clientes têm em comum e liste os atributos que eles reconhecem em você. É isso que você passa a comunicar com intenção.
Leve as respostas para quem for produzir o seu conteúdo. Elas também ajudam a ajustar a frase de posicionamento e a pensar a decisão de nicho.
O curador aparece, a Hello fica por trás
Este bloco serve para você chegar na Sabrina e na Mari Reis com direção clara. A orientação da call foi delegar: você entrega o que só você tem (olhar, critério, histórias) e elas transformam isso em identidade e em posts.
Na call, a Ana Eliza olhou o perfil da Hello e viu três coisas.
A primeira: só existe a Hello. Você aparece em um post. Quem quer ser visto como curador precisa aparecer, e hoje não dá para saber como você pensa viagem, por onde já passou, nem por que escolhe X e não Y.
A segunda: a estética lembra agência de pacote. Muita cor, foto recortada, várias fotos pequenas lado a lado, fundo de céu. Para quem quer luxo, a poluição visual trabalha contra.
A terceira: a logo, com o planeta e o avião, é óbvia. Luxo mora nas camadas e no que não é dito. Nas palavras dela, o perfil nem chega a estar feio. Ele ficou inadequado para o objetivo que você tem agora.
O contraste vem do seu aplicativo de concierge. Quando você abriu a viagem real de uma cliente na call (roteiro, reservas, documentos, checklist), a reação foi "isso é muito chique". Você mesmo disse que o aplicativo comunica muito mais o que você quer comunicar do que o Instagram. Quem entra nele fica chocado, porque não imagina. O trabalho agora é fazer o Instagram alcançar o nível do aplicativo.
Terramundi. Imagens limpas do destino, pouco texto, a equipe aparecendo em viagem (a jornada por Uganda com duas pessoas do time comercial) e uma série com fotos de clientes, "pelas lentes de". A Ana Eliza considera puro luxo. Falta saber quem é o curador, porque a fundadora não aparece.
A agência de luxo que você trouxe. A fundadora aparece sentada, falando como pensa ("luxo sem contexto é muito raso") e contando a origem da agência. A Ana Eliza prefere esta à Terramundi justamente porque dá para saber quem é a curadora. É o que ela sente falta no seu perfil.
Araya. Identidade limpa e coerente, as coisas se repetem, nada bagunçado.
O ponto em comum: refinamento por subtração, alta qualidade e consistência. E o ponto que você levantou merece ser levado a sério. As agências de luxo se parecem entre si: foto bonita do destino, escurecida, letra sutil, estética old money, sem personalidade. Você quer luxo com personalidade. Seus três ativos para isso são o nome Hello (você falou "Hello, fulana" e ele continua chique), a combinação de azul e rosa e o círculo rosa em degradê do aplicativo. A pergunta que fica para a designer: como ficar no nível de refinamento das referências e ainda ser reconhecível entre elas?
Texto para você copiar e mandar para a Sabrina.
Oi, Sabrina. Sou o Estácio, dono da Hello Viagens, indicado pela Ana Eliza. Estou passando por uma mudança de posicionamento e preciso de uma identidade visual nova.
Onde estou. Hoje a Hello comunica agência de pacote: muita cor, foto recortada, várias fotos juntas, e uma logo óbvia (planeta e avião). Vou me posicionar como curador de viagens de luxo, e a marca precisa acompanhar.
O que quero manter. O nome Hello e a personalidade dele. Também a paleta azul e rosa, com poucas cores.
O que quero mudar. A poluição visual, o aspecto de agência de pacote e a logo, que preciso que seja refeita.
O que a marca precisa dizer. Luxo sem ser óbvio, com camadas, naquilo que se sente. Quero luxo com personalidade, sem cair no padrão das agências de luxo (foto escurecida, letra sutil, old money, tudo parecido).
Referências. Terramundi e Araya, pela limpeza, pela qualidade e pela coerência. A minha diferença é que quero personalidade.
O que olhar. O aplicativo de concierge que criei para os viajantes. Ele comunica melhor o que quero do que o Instagram. Nele tem um círculo rosa em degradê que quero que vire a assinatura visual de luxo da Hello, de forma sutil.
O que preciso receber. A logo refeita e um brandbook que oriente todos os conteúdos, porque a social media vai seguir esse material para criar os posts.
Quero começar logo. Quando podemos conversar?
Texto para você copiar e mandar para a Mari Reis.
Oi, Mari. Sou o Estácio, dono da Hello Viagens, indicado pela Ana Eliza. Vou começar um trabalho de conteúdo e quero que seja você.
O que quero. Quero ser visto como o curador: a pessoa que já viajou, que já viveu, que tem bom gosto, que sabe o que é certo, o que é errado, o que é feio, o que é bonito. Hoje o perfil só mostra a Hello. Quero que apareça quem está por trás.
Como vai funcionar. Eu não vou produzir conteúdo. Preciso que você extraia de mim histórias, critérios e opiniões, e transforme isso em conteúdo. Vou te contar como penso viagem, como faço uma curadoria e o que levo em conta. Também vamos mostrar os bastidores da Hello, como o back office e o aplicativo de concierge.
Público. Pessoas que querem delegar a viagem inteira: economizar atenção, tempo e preocupação. Hoje penso em mulheres 50+ com condições. A decisão de nicho ainda está comigo: estou avaliando o público LGBT maduro (executivos, empresários, casais maduros, quem viaja várias vezes por ano). Vou decidir e te aviso. Se eu não seguir por esse nicho, vamos entrevistar meus melhores clientes para entender por que me escolheram e o que notaram de diferente. As respostas orientam o conteúdo.
Referências. Terramundi e Araya, pela limpeza e pela coerência. A identidade visual está sendo refeita pela Sabrina, e os posts vão seguir o brandbook dela.
Quando podemos conversar?
Estas são as linhas que a Ana Eliza listou, mais os bastidores que você trouxe. Cada uma diz o que prova sobre você, com um gancho da própria call quando houve. As histórias em si a Mari vai extrair de você.
Como você pensa viagem. Prova que existe um critério por trás de cada escolha. Gancho: você disse que quer ser o curador que escolhe o trecho e o trem, enquanto a equipe monta o pacote.
Sua história de viajante. Prova que você viveu o que recomenda. Gancho: "minha vida foi isso, eu sou um viajante". Você já fez Tailândia, Malásia, Singapura, safári e Europa, e a Ana Eliza pediu justamente os acertos e os erros: hotel bom, hostel, besteira, coisa boa.
Por que X e não Y. Prova senso crítico. A Ana Eliza quer ouvir o que você concorda, o que discorda, o que é bonito e o que é feio, onde é bom e onde é ruim. Sem gancho de caso específico na call.
Como você faz uma curadoria e o que leva em conta. Prova método. Gancho: o briefing que você faz com cada pessoa antes de a equipe montar o pacote.
Erros que os seus passageiros não cometem. Prova que você antecipa problemas. Gancho: a proposta de terceiros que soma a escala ao tempo de voo e mostra 25 horas onde são 18. Você viu o erro, reclamou e acabou construindo o seu próprio sistema.
O que observar num destino de luxo. Prova olhar treinado. Sem gancho específico na call. É material para a entrevista com a Mari.
O que você assume para o cliente ter paz. Prova a delegação concreta. Gancho: a frase da Ana Eliza de que o cliente pode pagar mais quando entende o que você assume para que ele tenha paz, e que ela não via isso no Instagram.
Bastidores: back office e aplicativo. Prova a sofisticação que quase ninguém vê. Gancho: você mostra nos stories e as transações aumentam, mas fez um único post sobre isso. Como a Ana Eliza notou, ninguém imagina que a Hello tem um back office assim. O pedido é levar isso para post, além do story.
A orientação foi clara: não espere o cliente mandar foto. Você tem um caso real, um cliente que fez fotos de nível profissional no Egito, autorizou a postagem e não mandou nada até hoje. A Ana Eliza respondeu: "não dependa dele".
Nas referências, ela viu duas saídas. A Terramundi mostra a própria equipe em viagem, e as imagens da equipe não dependem de ninguém. Quando usa foto de cliente, a agência corta e ajusta a imagem. Dá para fazer, ela disse, mesmo sabendo que depender dos outros é o problema das fotos.
Leve esta pergunta para a Mari e para a Sabrina: que fotos a Hello pode produzir sozinha, com a equipe e com você, e que sigam o padrão do brandbook?
Você tem dez dias de acompanhamento no WhatsApp com a Ana Eliza. Use para trazer o que aparecer nas conversas com a designer e com a social media, e as dúvidas sobre preço e nicho que surgirem quando você sentar para decidir.
Você disse que não ia ficar pensando, que ia fazer e pronto. Este documento é a ordem do fazer.